quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Sessão Psicoterápica Pós Tarefa de Casa

Cumprindo meu dever de casa, cá estão minhas considerações sobre o ser em questão:
BOM
- Gosto de conversar com ele;
- Adoro a sua família ( isso não conta);
- Demonstra segurança, iniciativa e eu admiro muito isso numa pessoa;
- É engraçado, me divirto ao seu lado, me faz rir;
- Quando estamos juntos, sempre tenho algo pra fazer, não tenho tempo de fazer nada;
- Adoro sua companhia.

RUIM
- Não leva relacionamentos a sério;
- Imaturo, infantil;
- Não me dá a atenção que eu preciso;
- Muito orgulhoso, só faz o que quer, não aceita críticas, nem conselhos;
- Muitas vezes me falta com o respeito, falando de mulheres e farras para mim;
- Bebe todo dia, sai com os amigos, não quer dar satisfação para ninguém. O fato de sair com os amigos não seria, se ele compreendesse que para isso não é necessário fugir, nem dizer aos quatro cantos que não tem compromisso com ninguém e não me deixasse esperando;
- Acredita que se namorar alguém, vai se prender e não quer dar explicação da sua vida para ninguém.

SUPORTÁVEL
Tudo me seria suportável, por um certo tempo, pois a longo prazo, as ausências dele, e seu egoísmo em achar que tudo tem que ser do seu jeito iria me desgastar de tal forma que qualquer tipo de relacionamento com ele se tornaria insuportável.

Pensar sobre essa situação, detalhar suas qualidades e defeitos, coisas boas e ruins inicialmente pareceu ser uma tarefa simples e fácil, encontrei mil defeitos logo no primeiro minuto. Porém, após conversar com ele no MSN (essa conversa girou basicamente em torno da necessidade dele de trocar a senha do msn, pois a ex japa tinha a tal senha e estava acessando com os dados dele. Tentei explicar como fazia, praticamente desenhei tal situação, mas ele não entendeu ou não quis entender. Pedi que ele me enviasse a senha que e trocaria pra ele. Ele mandou. Agora tenho acesso aos e-mails dele - isso foi uma merda muito grande!). Enfim... após essa conversa, eu senti algo relacionado com fraternidade, carinho, vontade de ajudar, não dó nem pena, mas é como se eu tivesse sempre que ser legal e prestativa.

Perguntas:
1- Por que eu me ofereci para trocar a senha dele?
Resposta: Simplesmente pelo fato de que quero mesmo sofrer, quero ver os e-mails que ele envia para as possíveis paqueras imaginárias, para as ex, sinto necessidade de saber da vida dele , o que ele anda fazendo, etc... Outra hipótese: preciso ser a amiga boazinha de todo mundo, a legal, aquela em quem se pode confiar, a amiga perfeita, a ex namorada perfeita.

2- Por que ele permitiu isso? Por que me passou a senha?
Resposta: Porque ele quer que eu veja os e-mails, ele quer manter o vínculo... Ele não é nenhum pouco ingênuo e sabia que eu veria os e-mails. Ele quer que eu saiba, por isso permitiu.

Fiquei muito mal, aborrecida, chateada, triste, chorei por não estar conseguindo me desvincular disso! E fiquei pior ainda por ter feito esse papel ridículo de amiga boazinha que ajuda todo mundo. As pessoas me procuram, eu acolho, ajudo, dou conforto emocional para quê??????? Gente, esse insight foi maravilhoso demais! Faço isso porque em nível inconsciente, preciso ser aceita, amada, preciso ser querida pelos meus amigos, por todos. Por isso sou tão prestativa, pronta pra ajudar sempre, disponível a qualquer hora para os amigos, simplesmente faço isso para obter a aceitação das pessoas. Pensei comigo mesma: será que estou usando uma máscara para conseguir a atenção e aceitação das pessoas? Nossa, isso seria horrível e vergonhoso! Mas para a sessão de terapia, foi lindo isso! Foi belíssimo esse insight. Só pensando a respeito e entrando em contato é que conseguirei sair dessa situação. E tem mais, muito mais.

O dito cujo está incluído nesse pacote: repito o mesmo comportamento de me doar excessivamente para ser aceita e amada. Não é ele que eu quero, é a atenção dele. Da mesma forma que faço com minhas amizades. Eu me dou por completo nas relações, por isso acabo discutindo com os amigos periodicamente, me decepcionando com eles, afinal, se eu faço tudo por eles, porque não fazem por mim? Não fazem porque não precisam fazer, porque eles não têm necessidade disso. Ninguém vai deixar de gostar de mim só porque eu disse não uma vez ou outra...Essa é uma necessidade minha e completamente desnecessária.

E para finalizar, todo esse meu padrão de comportamento tem muito a ver com minha figura materna. Vi minha mãe fazer isso a vida toda, ser boazinha e agradar sempre e eu estou repetindo o padrão comportamental dela. Ela não pensa nela mesma... mas não sabe disso. E mais outra coisa... repeti a vida inteira esse padrão dela e tantos outros do meu pai, que é obeso, que é ansioso como eu.... E onde é que está o MEU próprio eu? Esse buraco existencial, essa carência emocional estava sendo preenchida com comida... com comportamentos obsessivo- compulsivos (NÃO É O TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO EM SI, APENAS ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DELE). Se tenho usado comportamentos copiados das figuras parentais, cadê eu na minha própria vida???????

Estou em busca do meu eu... das MINHAS vontades, dos MEUS pensamentos, da MINHA maneira de ser e agir... Estou em busca de novos horizontes...

3 comentários:

eliana55 disse...

Aline, vc vai encontrar, tenha fé.
Forças na RA, vc já é uma vencedora.
Bjs.

Bruna Lizt disse...

Li esse teu post e fiquei pensando em mim mesma: não sou muito disponível, não sou muito compreensiva com os outros, não sou muito prestativa também. Acho que, na verdade, penso mais em mim. Sou bem egoísta. Acho que por isso tenho pouquíssimos amigos e sou uma pessoa muito fechada, muito com as minhas coisas, meu mundinho. Acho que eu precisava duma terapia, afinal todos querem ser aceitos, amados, queridos, terem um monte de amigos e eu não me esforço muito para isso acontecer.
Bjs.

Bruna Lizt disse...

Aline, querida... muito obrigada pelo teu comentário, pela gentileza das tuas palavras e pela tua disponibilidade. Foi bem importante ler o que tu disseste sobre o meu papel nessa situação toda, pois ao mesmo que tento dar apoio, força e ter atitudes positivas, estava me sentindo tão impotente, incapaz, sei lá... Por isso foi muito bom ler o que escreveste.
Acho que por causa dessa situação é que fiquei pensando na minhas poucas amizades, que realmente é o que faz diferença nessas horas. Vou parar por aqui antes de começar a viajar indefinidamente...rsrs.
De qualquer forma, agradeço sinceramente tuas palavras de interesse e apoio.
Bjs.